Detalhe de Notícia
8-11-2011

Ser do Camtil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Camtil nasceu em 1984.

27 anos depois tem mais de 800 famílias como sócias, sendo uma associação com cerca de 3.500 pessoas.

Faz em média 10 campos por Verão contando com 420 participantes e à volta de 150 animadores. Realiza ainda um campo de Cegonhas, um CIFA, um campo de Trolhas, e, através do TRIPA, CABRA e ALFACE presentes nas cidades de Porto, Coimbra e Lisboa, uma data de actividades.

 É uma associação católica, "filha" dos jesuítas, mantendo-se viva com espírito Inaciano.

Em 27 anos, é impossível contabilizar quantas pessoas foram marcadas pelo CAMTIL.

O que difícil compreender é como é que esta associação se mantém viva e tão activa. A isto responde-se apenas com uma palavra: Compromisso.

Todos os anos, mais de 100 pessoas se comprometem com o CAMTIL: na Direcção, nos Núcleos, nas equipas de animação dos campos. Comprometem o seu tempo, a sua dedicação, a sua paciência, o seu trabalho, e com isso fazem esta associação crescer mais e mais.

Não se comprometem para fazer currículo, ou porque vai ser divertido.

Comprometem-se até quando não lhes apetece, quando os programas alternativos se adivinham bem mais divertidos - e menos cansativos. Porque comprometer, é precisamente isto.

 

Fui ao dicionário cá de casa: uma 5ª Edição da Porto Editora de  1983. Tive medo que, ao procurar na internet, encontra-se um significado distorcido, actualizado aos tempos modernos.

 

Compromisso: s. m. obrigação contraída entre duas ou mais pessoas de sujeitar a um árbitro a decisão de um pleito; comprometimento; ajuste; acordo; promessa mútua.

 

Não satisfeita procurei também

 

Comprometimento: s. m. acto de comprometer ou comprometer-se; responsabilidade.

Comprometer: v. tr. obrigar por compromisso; responsabilizar; sujeitar; empenhar; refl. assumir a responsabilidade; obrigar-se; incriminar-se; revelar-se.

 

Das 3 definições duas palavras me saltaram à vista: responsabilidade e empenhar.

Assumir um compromisso, resulta em tornarmo-nos responsáveis por.

Assumir um compromisso, implica empenho para o cumprir.

 

A cada dia que passa tenho mais e mais medo que estas palavras se percam com o tempo, ou que, mesmo que continuem a ser usadas, percam o sentido que já tiveram.

Comprometer é cada vez mais difícil: a oferta é tanta, que levar um compromisso por diante significa ter um custo de oportunidade gigante, e, na maioria das vezes, imprevisível.

Tornar-me responsável é acartar um peso às costas, assumir que se algo correr fora do normal, sou eu quem tem que arcar com as consequências - e são tantas as coisas que estão fora do nosso controlo.

Empenhar-me dá muito trabalho, é cansativo. E tenho muito mais em que gastar a minha energia.

 

Se comprometer é tão exigente, então porque é que todos os anos tantas pessoas assumem e renovam o seu voto de se entregar ao CAMTIL?

Por uma única razão, parece-me: Fé.

Fé em que o esforço vale a pena. Fé em que cada pessoa tocada pelo CAMTIL é mais uma pessoa que quer viver de uma forma diferente, simples, genuína. Fé em que Deus, Amizade, Natureza e Serviço, que "O essencial é invisível aos olhos", são bases com as quais podemos e devemos viver todos os dias.

Fé em que o CAMTIL é apenas um pedaço daquilo em que posso ser e dar mais para que o mundo não se vire do avesso.

 

Porque ser CAMTIL é partilhar de uma maneira de estar na vida, e lutar para que esta forma de ser se entranhe cada vez mais na sociedade. É um "Somos todos nós" que torna tudo isto tão mágico.

É um constante desafio a vivermos do essencial, a não nos deixarmos levar pela corrente, a sermos genuínos, a lutarmos por ser mais e melhor.

E se eu tenho a sorte de fazer parte, se eu posso fazer campos, se conheço e contacto com o TRIPA, o ALFACE e o CABRA, se ganhei tantas pessoas importantes para a minha vida nos campos, se tive tanta gente que desde que eu era pequena apostou em mim, no meu crescimento, se tantos abdicaram das suas férias, do seu tempo, de tantas outras coisas que tinham para fazer para que eu pudesse aprender a ser melhor, se tantos se comprometeram comigo, como posso eu não querer assumir esta responsabilidade? Mesmo quando não me apetece, mesmo quando a alternativa é bem mais aliciante. Como posso não estar disponível para dizer que SIM, com empenho, com alegria, quando tanto daquilo que sou foi porque outros disseram que SIM por e para mim.

 

Sei que tenho para dar. Pode não parecer muito, pode até parecer um contributo ridículo. Mas tenho Fé que se me comprometer, se me empenhar de corpo e alma, vai valer a pena! Porque eu quero ver o CAMTIL a crescer, eu quero ver mais gente a, como eu, descobrir que é fixe que "também nos restantes 355 dias do ano haja lama!".

 

Se em 27 anos somos para lá de 3.500 a procurar crescer e viver do essencial, se nos comprometermos com isso, imaginem quantos não poderemos ser em 50 anos!

 

Nunca se cansem de dizer que SIM ao CAMTIL, e a cada dia vai valer mais e mais a pena!

 

 

 

Mafalda Sousa Guedes 

 

 

 

 

 

 

O COMPROMISSO

P. Nuno Burguete, SJ

A minha infidelidade não está naquilo que fiz para trás, está naquilo que posso ou não fazer a partir de hoje.

No Evangelho de S. João, Deus é o agricultor e fala-nos sobre a videira que é, para nós, uma planta bem conhecida:

Como a videira, se não dermos fruto, devemos examinarmo-nos para ver qual a razão.

Será que aceito as pequenas podas da vida? Sendo esta a forma de me tornar mais forte?

Devo estar atento para perceber o que Deus quer de mim e aceitar a poda,  para mais fruto.

 

 

 

 

 



Voltar