Trolhas 2018

Do mesmo modo que fomos entrando na semana santa, também os corações de 53 trolhas foram entrando na remota freguesia de Cabril, no concelho de Pampilhosa da Serra.

Chegámos para estar ao serviço daqueles que tudo perderam, aqueles que por estarem tão isolados, foram sendo esquecidos e entregue a si mesmos, enquanto engolidos pelos fogos de Outubro passado.

Rostos envelhecidos pelo tempo, mãos de pele curtida pelo trabalho no campo e almas ainda em recuperação por tudo o que perderam.

Pessoas que nos sorriam e que todos os dias nos deram um exemplo de perseverança, apercebendo-nos nós que provavelmente muitos deles pela idade, não estarão vivos para ver de novo a sua terra verde como a lembram.

Não entrámos nas suas vidas como heróis, nem podíamos.

Rodeados por uma paisagem de constante negro, percebemos que o serviço que como camtílicos poderíamos prestar, seria o de ir ao encontro destas pessoas, de outros tempos e costumes, que esperavam a nossa ajuda, mas mais que tudo a nossa companhia, podendo contar as suas histórias, interessados também nas nossas e esperando da nossa parte todo o apoio que lhes pudéssemos dar em seis dias de trabalho intenso.

Os dias foram-se compondo, os trabalhos distribuídos, e nos trolhas que ali trabalharam, um sentido genuíno de serviço foi crescendo com as relações que se criavam. Ao fim do dia, chegados das aldeias, a população recebia-nos com sorrisos de gratidão, oferecendo-nos tudo o que tinham e não tinham.

Em suma, e porque um campo de trolhas dificilmente se descreve por palavras, foram seis dias de reflexão, de serviço, de partilha, de trabalho, de cansaço, de risos, e sem qualquer dúvida, seis dias de amor a viver com Cristo a sua paixão.

- Pedro Rocha e Mello

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